domingo, 12 de janeiro de 2014

Cesto de Rabo de Boi



 Foi por vezes considerado um prato menos nobre, provavelmente originado pela proveniência da peça da rês. Mas muito injustamente-diga-se. Porque trata-se de uma parte muito saborosa e que pode ser confeccionada de diferentes maneiras. Esta versatilidade, torna-a aliada comum a várias cozinhas da Europa, e não só. Cada povo e região souberam e continuarão por certo a dar, trato culinário adequado de acordo com o seu paladar. Talvez fruto do contexto económico que se vive nos últimos anos, levou a que de novo se pegassem em muitos produtos caídos no esquecimento e recreassem-se receitas, com maior ou menor criatividade, extravagância, ou ainda fidelização aos sabores de antanho. Nessa perspectiva e na linha de uma nova cozinha, surgiram propostas vanguardistas na sua elaboração, com carácter identitário próprio, mas rapidamente absorvido por diferentes geografias.
 Regressemos nós à pacatez minhota e àquilo que o lameiro e a horta nos podem dar. E trabalhemos então na cozinha os seus produtos. Com autenticidade e de forma simples, para que fique com sabor genuíno. Esta semana foi assim: cestinho de rabo de boi em vinhão.Um mimo!


domingo, 24 de novembro de 2013

Simples e saborosa








Ainda o Outono corre nos nossos dias, mas faz frio como se estivéssemos em pleno Inverno. E o estômago pede mais mimos, que podem ser doces. E a natureza responde, com o despontar quase espontâneo, de uma diversidade de coisas simples e boas, que tanto nos agradam e que procuramos aproveitar da melhor maneira. É o caso da doçaria tradicional, feita em casa a partir daquilo que a terra nos dá, bem longe do processo técnico industrial.
Falemos da bem simples e tão conhecida marmelada, obtida a partir de confecção de marmelos em calda de açúcar. Pode ser, clara, escura ou em geleia. Tudo depende da forma como é elaborada, havendo propostas variadas para cada uma das maneiras. Esta, feita por nós no correr do mês de Outubro, é da escura. Na memória dos mais velhos ficou a abundância nas suas casas deste doce, que se ia consumindo ao longo do ano e era também oferecido aos vizinhos e amigos. Continuemos então, na senda dessa doce tradição. Prove-a na companhia, por exemplo, de um Porto, moscatel ou de outra companhia que achar por bem...

domingo, 17 de novembro de 2013

Há sempre um Gomes de Sá que espera por si


  Referência na cozinha de Portugal e com uma longa história de identidade com os portugueses, não fossemos nós quem  iniciou o consumo de bacalhau seco. A isto estarão ligados, entre outros,  factores de índole religioso e sócio-económico e que viriam a ser ponto de partida para um sucesso comercial, ao qual obviamente também está ligada a cozinha nacional, cujos primeiros registos escritos de receituário, remontam ao século XVIII.
 Desde então uma diversidade evidente de maneiras para cozinhar o gadídeo tem surgido, ultimamente acentuada pelo facto de vivermos numa sociedade com facilidade de informação, abertura e troca de experiências. Uns, seguidores de um carácter mais universal da cozinha, adaptam as suas propostas a esse perfil. Outros continuam pela linha mais tradicionalista, continuando a apostar na substancialidade do peixe e adjuntos na travessa. E  há quem tenha como base a tradição e os sabores e adapte as propostas aos dias de hoje. Tentamos ser assim. Aqui lhe deixamos uma variação de um Gomes de Sá, convictos de que se estivesse vivo, o autor nos perdoaria a pretensa nominação, tal foi a aceitação daqueles que o provaram.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013








Meia-lua de carne de bovino


A Lua (dizem os ingleses),
É feita de queijo verde.
Por mais que pense mil vezes
Sempre uma ideia se perde. 

E era essa, era, era essa,
Que haveria de salvar
Minha alma da dor da pressa
De... não sei se é desejar. 

Sim, todos os meus desejos
São de estar sentir pensando...
A Lua (dizem os ingleses)
É azul de quando em quando.

    Fernando Pessoa












                                                                                                                                                                                

domingo, 29 de setembro de 2013

Pêra com queijo azul e nozes


 Aproveitando a magnífica qualidade da pêra rocha, também produzida em terras do Minho, apresentamos no nosso menu deste fim de semana este fruto, trabalhado do seguinte modo:
 com a pêra a indiciar maturidade ideal, não só pelo aspeto exterior, mas também por sua polpa branca, doce e suculenta, foi  cozinhada em redução de vinagre de vinho generoso ( que coração de igual qualificativo nos fez chegar) e açúcar não refinado. Já no empratamento, compôs-se a parceria, com queijo azul e nozes, atingindo assim a sua plenitude de contraste entre o doce e amargo. 

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Vens almoçar?




 Fruto de diversos contextos, que para o caso pouco interessa, ao longo de determinado tempo, incidimos a nossa prestação semanal sobre o jantar, não podendo deste modo, por vezes, satisfazer alguns pedidos de reserva para a hora do almoço. A partir de 1 de Outubro, retomamos o horário que já em tempos praticamos,  podendo assim contentar aqueles que pretendem almoçar durante a semana.