sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Doçaria Conventual

 



 A farta consoada minhota, foi assumida por todo o país. Daí que, desde há vários anos, na mesa da noite de vinte e quatro para vinte e cinco de Dezembro, pontifiquem o cozido de  bacalhau , batatas,  polvo, couve galega e mais uma panóplia de petiscos e doçaria de múltiplas tentações.   E se a invasão minhota se espalhou pelo retângulo e adjacentes lusas, a interação emerge na doçaria conventual, como é o caso dos papos de anjo, com origem nos conventos ilhéus, espalhando-se pelo continente, até fazendo gosto à boca do irmão brasileiro com estes miminhos lusitanos. E para matar saudades pediram-nos. Foram servidos num domínio das gemas e do açúcar, acolitado pela presença aromática de vinho generoso do Douro, laranjas do nosso quintal e canela em pau que perfumavam a dúlcida calda. 
As melhores festas para todos.

domingo, 11 de novembro de 2012

Bocados entre os melhores

Desde setembro e durante doze semanas, o jornal Público tem disponibilizado uma coleção da autoria do crítico de vinhos Rui Falcão, sobre as diversas regiões vitivinícolas e os melhores vinhos e restaurantes de cada região. Esta semana foi a vez da Região dos Vinhos Verdes. Do melhor que se tem feito em Portugal,  em termos de estrutura, conteúdo e análise fundamentada sobre o tema, aliada a uma escrita muito aprazível, de uma leveza suprema, bem longe dos jargões que pululam entre os entendidos na matéria,  fazem desta coletânea  um apetecível objeto de leitura e consulta.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Tempo de outono


 Os dias mais frescos estão a chegar. Para já o outono vai correndo na seu  multimatizado de cores, entre vermelhos, castanhos e amarelos. É a prodigiosa natureza com os encantos de cada estação. Como são diferentes os cheiros do outono, dos das outras estações. Cheira a terra húmida das primeiras chuvadas, ao sopro ainda suave do frio que se anuncia, ao fumo das lareiras e a lenha. Cheira a tojos, a erva doce, castanhas e cogumelos. Como é bom descobrir assim o outono e encontrar os seus sabores à mesa da cozinha tradicional. É assim que fazemos percorrendo cada estação no reencontro dos seus paladares. Aqui fica uma sugestão desta semana: arroz de sustância feito com ossos da suã.


domingo, 14 de outubro de 2012

Tempo de Vindimas

Já lá diz o povo que, até ao lavar dos cestos é vindima. Outubro dentro, as vindimas prosseguem em terras do Minho. Berço do loureiro e alvarinho, duas castas que parecem ter destinos diferentes. O loureiro com grande potencial de crescimento em termos de mercado externo, devido à sua frescura,leveza e à introdução de novas técnicas de enologia e que muito têm beneficiado a casta. Por outro lado, o alvarinho a lutar contra “o roubo” da casta para territórios bem diferentes do da sua origem, mas que, em nossa opinião, jamais farão esquecer a inigualável boca, daquele que provém do território da raia minhota. No campo dos tintos, progressos significativos tem-se verificado, com redução significativa da acidez no vinho. Uma das castas que nos últimos tempos tem atingido grande notoriedade é o vinhão, apontado como parceiro ideal para algumas referências da comida autóctone. Mas não só. Uma das referências mundiais na crítica dos vinhos, Jancis Robinson, considerou ainda não há muito tempo, um vinhão de perfil diferente do tradicional, produzido nos concelhos de Arcos de Valdevez e Ponte de Lima como a das suas escolhas. O que pasme-se, levou aos reparos, de alguns pretensos escribas nacionais sobre a matéria, que logo trataram de dizer que não, que era um absurdo tal vinho ser um dos eleitos. >

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

É sempre bom agarrar o Verão. Mesmo que o calendário, já não o mostre, a natureza dá sinais que ainda o tempo vai no Verão prazenteiro, pedindo um estilo gastronómico desprendido e mais leve. Daí advêm coisas tão simples e tão do nosso agrado, mesmo que a sua origem não seja em solo pátrio, mas mão menos saborosas e muito do agrado do palato luso. Aqui fica então, uma tortilha feita com batata da terra de Límia, ovos de galinha do campo, molho de aguardente velha de vinho verde, pimentas e ainda o presunto de boa estirpe e o pequeno tomate cereja, assentes em fatia de pão rústico. Um bocado para saborear nestes dias.

domingo, 30 de setembro de 2012

Ainda que o outono, já marque a sua presença no calendário, na natureza, as folhas ainda têm tons de verão. A luz e as cores do dia apelam para continuarmos, e bem, a partilhar o ar livre. E, nada melhor para anteceder um repasto, do que um requeijão com azeite e ervas aromáticas colhidas na nossa horta, acompanhado por branco de todas as estações -o Tia Piá Reserva 2010.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Sabores do Minho


 Pastando nos campos e montanhas que pintam a paisagem do vales do Lima e Minho, o gado pisco, outrora gado essencialmente de trabalho no campo, é, nos últimos anos e devido à qualidade da sua carne, um alimento  de alta qualidade. Pastam num estado de plena liberdade, dado que são soltas pelos seus proprietários nos lameiros e montes, recolhendo aos abrigos com o aproximar do pôr do sol.


Para aqueles que visitam a região, nas aldeias mais serranas do Alto Minho é fácil vê-los soltos, junto às bermas da estrada, nos valados, à procura de alimento.    
 Esta semana,servimos bovino pisco numa empada, a que não faltou, à boa maneira minhota, a tradicional casta vinhão para aromatizar a tenra e suculenta carne, proveniente do matizado de verdes que borda a nossa região.